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“Vergel” estreia nesta semana em várias cidades brasileiras. A protagonista, interpretada pela atriz brasileira Camila Morgado, perde o marido, inesperadamente, em uma viagem de verão. Burocracias fazem com que ela passe um tempo no local à espera da liberação do corpo, num convívio consigo mesma, em momentos que entrelaçam dor, memória, fantasias, natureza e novas experiências. O filme aborda a morte e a ausência enquanto a vida se refaz. E abre caminhos para reflexões filosóficas sobre realidade, relações humanas, sexualidade entre outros temas.

A obra é dirigida por Kris Niklison, uma artista performática argentina que tem seu trabalho caracterizado pelo caráter pessoal e pela poesia visual, observados em peças teatrais, espetáculos de dança e, recentemente, nos filmes. A diretora também assina o roteiro de “Vergel” e é uma das produtoras do longa, realizado em conjunto pela Basata Films (Argentina) e pela Casadasartes Films (Brasil). A música original é do compositor brasileiro Arrigo Barnabé.

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A história se passa na Argentina, em um ambiente cercado de natureza, apesar de ser um apartamento, que não era cenográfico. As filmagens foram realizadas em locação, em um imóvel (39 metros quadrados) da própria diretora. O ambiente, cena a cena, com tons intensos de amarelo, vermelho e verde, transforma cada quadro em pintura. O filme é bem imagético, o que torna menos relevantes os diálogos em relação às imagens para apreciação, deduções e viagens dos espectadores. O público compartilha com a personagem o lento tempo da história e espera com a mulher a liberação do corpo, fato que permitirá que ela o leve para casa e siga sua nova vida.

O calor sentido na pele, a água, as plantas e as pessoas em suas ações cotidianas em volta do prédio são elementos que se referem à continuidade da vida mesmo após a morte que impulsiona os acontecimentos da trama. Nesse contexto, uma vizinha, interpretada pela atriz argentina Maricel Álvarez se oferece para regar as plantas e as duas mulheres passam a compartilhar momentos em meio à natureza da varanda e à dor da protagonista.  

Palavras da diretora:

“Em todo caso, vida sempre é natureza, de modo que, inconscientemente, comecei a construir o filme com os componentes mais essenciais da vida/natureza: O mundo vegetal, fonte de oxigênio; o mundo animal, símbolo de instinto; a luz do sol, primeira fonte de energia; a água, essencial para a sobrevivência e o tempo, ao que todo o anterior está submetido.”

O vocábulo “vergel” se refere a pomar, horto. E é nesse universo que natureza, tempo, liberdade e realidade formam um novo ambiente para a mulher solitária. Em momentos de angústia, desespero, desligamento do mundo e descobertas, ela se (re) descobre e se refaz. Uma vida brota depois da morte e um ciclo se fecha para o recomeço de uma nova mulher.

*Imagens: Divulgação

Por Clécia Oliveira – Jornalista e Produtora