Poster Canastra Suja

Quem ainda não teve a oportunidade de ver “Canastra Suja” (2018) no cinema ou em festivais, o Canal Brasil vai exibir o longa, com exclusividade, na terça, 18 de dezembro, às 22h. O drama de Caio Sóh (direção, roteiro, montagem e produção) evidencia mazelas, conflitos e lados ocultos de personagens a partir do cotidiano de uma família de classe média-baixa. São postas em jogo questões relativas ao alcoolismo do patriarca Batista, vivido por Marco Ricca, e à insatisfação da dona de casa Maria, interpretada por Adriana Esteves, que dribla a rotina com a satisfação de alguns desejos. Muito além disso, temas como autismo, traição, prostituição e homofobia atravessam essas vidas.

Completam o núcleo familiar a filha mais velha, Emília (atriz Bianca Bin), o desajuizado filho Pedro (ator Pedro Nercessian) e a filha mais nova Rita, uma autista vivida pela atriz Cacá Ottoni. A história se desenrola em meio ao suspense que prende a atenção do espectador e instiga a curiosidade sobre o desfecho da trama, que não é única. Há verdades e desdobramentos que vêm à tona e tornam o filme um braço para várias histórias paralelas que se entrelaçam de alguma forma. O protagonismo dos personagens aparece em diversos momentos alicerçado na qualidade e nas particularidades das atuações. Com desempenho notável, também atuam os atores David Júnior e João Vancini, com participações de Millen Cortaz, Gustavo Novaes, Emilio Orciollo Netto e Bruno Padilha.

A esperada tragédia, prevista nos vários contextos, reforça o papel de cada personagem na história enquanto os conflitos pessoais e em família rendem reflexões em torno da devassidão dos atos de alguns.

Um núcleo familiar simples e aparentemente comum é desmistificado enquanto o jogo de ações e descobertas se associam a um jogo de cartas, o buraco fechado, também conhecido como canastra – jogo de sete cartas ou mais do mesmo valor ou em sequência, do mesmo naipe. Existe a canastra limpa, sem curinga, e a canastra suja, com curinga. Nesse caso, uma das regras diz que uma canastra suja pode ser limpa caso o curinga utilizado for do mesmo naipe e a carta 2 não estiver posicionada. O curinga substitui qualquer outra carta de qualquer naipe e cada jogo aceita apenas um curinga. Se o 2 estiver ocupando a posição de carta 2, não será considerado curinga. As associações com a obra ficam para o espectador pensar durante a exibição e após assistir ao filme.

“Canastra Suja” é o quarto longa-metragem de Caio Sóh. Além dos talentos do diretor e dos atores, o filme ganha vida, em referência ao realismo teatral, com a fotografia de Azul Serrame e trilha sonora de Maria Gadú. O longa participou de festivais como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Los Angeles Brazilian Film Festival (prêmios de melhor longa-metragem, diretor, ator para Marco Ricca e ator coadjuvante para Pedro Nercessian) e Fest Aruanda (prêmios de melhor ator, ator coadjuvante, roteiro e som).

O diretor Caio Sóh

Caio Sóh é cineasta, compositor, dramaturgo premiado e fundador do movimento de cinema bruto, que reúne artistas do cinema independente. Também dirigiu e assinou o roteiro do filme “Teus olhos meus”, vencedor pelo júri popular da 35ª Mostra de Cinema Internacional de São Paulo e de 5 prêmios no Los Angeles Brazilian Film Festival 2011, incluindo melhor filme e melhor roteiro. O seu segundo longa-metragem “Minutos atrás” estreou no primeiro semestre de 2014 e foi exibido na première Brasil do Festival do Rio e na Mostra Internacional de São Paulo. Sóh também dirigiu o longa “Por trás do céu”.

Canal Brasil,  produtora e TV por assinatura

O Canal Brasil é coprodutor do filme, em parceria com a Cinema Bruto Produção Cinematográfica. O Canal de TV completou 20 anos em setembro deste ano. Além de exibir conteúdos que privilegiam o cinema brasileiro, desempenha papel fundamental na produção e coprodução de longas-metragens desde 2008, quando iniciou esta outra frente de atuação com “Lóki – Arnaldo Baptista”, de Paulo Henrique Fontenelle. Em 2018, contabiliza 250 filmes. Entre os longas recentemente coproduzidos estão “Animal cordial”, de Gabriela Almeida; “Divinas divas”, de Leandra Leal; “Não devore o meu coração”, de Felipe Bragança; “Pendular”, de Julia Murat; e “Berenice procura”, de Allan Fiterman.

Por Clécia Oliveira – Jornalista e Produtora